Endometriose & dor pélvica crônica

Uma doença que afeta até 1 em cada 10 mulheres em idade reprodutiva — com investigação aprofundada e acompanhamento especializado, pode ser diagnosticada, tratada e bem conduzida, com o objetivo de uma melhora expressiva na qualidade de vida.

EspecialidadeGinecologia & Cirurgia minimamente invasiva
TemaDor pélvica · investigação, diagnóstico e conduta
Revisão clínicaDra. Julia M. Bianchini · CRM-SP 199541

O que é endometriose?

A endometriose é uma condição inflamatória crônica em que o tecido semelhante ao endométrio (que reveste o interior do útero) cresce fora da cavidade uterina. Esse tecido pode se alojar nos ovários, tubas uterinas, intestino e bexiga, respondendo aos estímulos hormonais do ciclo menstrual e causando focos de inflamação.

Estima-se que a doença afete de 2% a 10% das mulheres em idade reprodutiva, gerando um impacto profundo no bem-estar físico e emocional. Se você sofre com cólica menstrual forte, dores pélvicas constantes ou percebe que o desconforto impede suas atividades diárias, saiba que esses sintomas não são normais e merecem investigação.

“Cólica intensa não é normal. Quando a dor te tira de reuniões, viagens ou te causa sofrimento diário, é hora de investigar — não de aumentar a dose do analgésico.” — Dra. Julia M. Bianchini

Quando desconfiar: sinais que pedem investigação

  • Cólica menstrual intensa (que não passa com analgésicos comuns).
  • Dor na relação sexual (principalmente na penetração profunda).
  • Dor fora do período menstrual não explicada por outros motivos.
  • Dor ou sangramento ao urinar ou evacuar durante o período menstrual.
  • Dificuldade para engravidar (infertilidade ou subfertilidade).
  • Fadiga crônica e distensão abdominal.
“Sentir dor na relação sexual não é normal. Com uma avaliação e exame físico adequado, podemos descobrir a causa da sua dor para nos orientar o tratamento.” — Dra. Julia M. Bianchini

Diagnóstico: por que o caminho importa

Muitas mulheres passam anos sofrendo antes de obter um diagnóstico de endometriose definitivo. O primeiro passo na consulta é uma conversa detalhada sobre o seu histórico clínico e um exame físico cuidadoso.

Hoje temos exames específicos para o diagnóstico. O ultrassom comum pode não funcionar, pois os exames devem ser feitos por profissionais especializados e com preparo adequado da paciente. Os principais exames solicitados são:

  • Ultrassom transvaginal com preparo intestinal — um mapeamento detalhado realizado por profissionais especializados para identificar focos profundos. Ótimo para detectar lesões intestinais.
  • Ressonância Magnética (RM) da pelve — excelente para avaliar a extensão da doença e o comprometimento de órgãos vizinhos.

Tratamento da endometriose: clínico e cirúrgico

O tratamento para endometriose não segue uma receita única; ele deve ser individualizado com base na intensidade das dores, na localização das lesões e nos planos reprodutivos da paciente. Importante ressaltar que, por ser uma condição inflamatória crônica, seu pilar se sustenta nas mudanças de estilo de vida, como boa qualidade do sono, alimentação saudável, perda de peso e atividade física. Essas medidas têm um impacto significativo no controle da doença.

Abordagem clínica (medicamentosa)

Para casos em que os sintomas são leves ou moderados e não há indicação cirúrgica imediata, o foco é o controle da dor e da inflamação. Isso pode ser feito através de:

  • Bloqueio hormonal (pílulas anticoncepcionais contínuas, progestagênios ou DIU como segunda opção).
  • Análogos de GnRh em casos mais graves.
  • Analgésicos e anti-inflamatórios para alívio dos períodos críticos.

Tratamento cirúrgico por cirurgia minimamente invasiva

Quando o tratamento medicamentoso não funciona, quando há comprometimento importante de órgãos como intestino, ureter ou apêndice, quando há endometriomas (cistos de endometriose) maiores ou em casos específicos de infertilidade, a cirurgia se torna a melhor opção. Como especialista em cirurgia minimamente invasiva, afirmo que esse método permite:

  • Remoção precisa e completa dos focos de endometriose, preservando os órgãos saudáveis.
  • Cortes milimétricos, resultando em cicatrizes quase imperceptíveis.
  • Pós-operatório muito mais rápido, com menos dor e retorno precoce às suas atividades normais.

Acompanhamento e qualidade de vida

Por ser uma doença crônica, o cuidado com a endometriose não termina após a cirurgia ou com o início das medicações. O acompanhamento ginecológico a longo prazo é fundamental para monitorar a evolução do quadro, prevenir a recorrência dos focos e garantir que você viva sem dor.

O objetivo principal do consultório é oferecer um suporte integral e humanizado, devolvendo a você o controle sobre o seu corpo, sua fertilidade e, principalmente, sua qualidade de vida.