HPV e Lesões Precursoras: o que você precisa saber?

O diagnóstico de HPV costuma vir acompanhado de muitas dúvidas, angústias e medos. Os primeiros passos são: entender que o vírus é extremamente comum, desmistificá-lo, fazer os exames de rotina e acompanhar, preferencialmente, com uma ginecologista oncológica.

EspecialidadeGinecologia oncológica & Patologia cervical
TemaHPV · prevenção, diagnóstico e tratamento
Revisão clínicaDra. Julia M. Bianchini · CRM-SP 199541

O que é o HPV?

O HPV é uma infecção sexualmente transmissível viral muito frequente; estima-se que a maioria das pessoas sexualmente ativas terá contato com o vírus em algum momento da vida. Na imensa maioria dos casos, o próprio sistema imunológico elimina o vírus espontaneamente. No entanto, alguns subtipos de alto risco podem persistir e causar alterações nas células do colo do útero.

Como é feito o diagnóstico do HPV?

O rastreio inicial e a prevenção começam no consultório, através de exames de rotina:

  • Preventivo (Papanicolau) — identifica se existem alterações celulares causadas pelo vírus.
  • Exame de HPV — testes de biologia molecular que detectam a presença do DNA do vírus e identificam se ele é de alto risco.

E o que é a colposcopia?

Colposcopia com biópsia: se os exames acima vierem alterados, a depender da alteração a colposcopia está indicada. Ela possui lentes que possibilitam avaliar o colo do útero de perto, com alguns reagentes que ajudam a identificar lesões e, se necessário, coletar um pequeno fragmento (biópsia) para análise. Realizo a colposcopia nas pacientes que têm indicação, prezando pelo cuidado resolutivo e olhar único sobre o caso. Ela não é um exame de rotina ginecológica.

Tratamento de lesões precursoras de câncer: o que são as NICs?

Se a sua colposcopia veio alterada e a biópsia apontou NIC (Neoplasia Intraepitelial Cervical), não entre em pânico. A NIC não é câncer, mas sim uma lesão precursora (que vem antes). Elas são classificadas em três graus:

  • NIC 1 — geralmente regride sozinha e exige apenas observação.
  • NIC 2 e NIC 3 — são lesões de alto grau que precisam de tratamento para não evoluírem para o câncer de colo de útero no futuro.

O tratamento dessas lesões é cirúrgico e feito pelo CAF (Cirurgia de Alta Frequência) ou pela conização. O objetivo é retirar a área afetada do colo uterino com o menor impacto possível na anatomia da paciente.

Seguimento: o acompanhamento pós-tratamento

Após tratar uma lesão por HPV, realizamos o acompanhamento repetindo os exames acima em intervalos menores inicialmente (geralmente a cada 6 meses no primeiro ano) para garantir que a lesão foi eliminada e que o vírus não está mais causando alterações. É importante manter o seguimento, pois, se a infecção pelo HPV ainda estiver presente, pode causar novas lesões.

Rompendo o estigma do HPV

O diagnóstico de HPV não é sinônimo de infidelidade nem de câncer. O vírus pode ficar latente (dormindo) no organismo por anos ou até décadas antes de se manifestar. Ter HPV não define sua vida sexual e nem o seu futuro. Com o tratamento adequado das lesões iniciais, a evolução para uma doença grave é totalmente evitável.

“Ter HPV não é sentença, não é sinônimo de infidelidade e nem de câncer. É um chamado para cuidar e ter um acompanhamento que não abandona.” — Dra. Julia M. Bianchini

Principais preocupações das pacientes (FAQ rápido)

O HPV tem cura?

O corpo pode eliminar o vírus sozinho; não temos remédio ou tratamento específico contra ele. Medidas que aumentam a imunidade no geral ajudam muito, principalmente parar de fumar. O que podemos tratar e curar são as lesões no colo causadas por ele.

Quem tem ou teve HPV pode engravidar?

Sim. Os tratamentos atuais preservam o colo do útero e a fertilidade da mulher. É possível que, na gestação futura, seja necessário fazer cerclagem (ponto no colo do útero).

A vacina do HPV ajuda quem já tem o vírus?

Sim! A vacina protege contra outros subtipos do vírus aos quais você ainda não foi exposta e ajuda a evitar a reinfecção.

Meu parceiro precisa se vacinar?

Sim. Todos os homens que não tomaram a vacina na infância devem completar seu calendário vacinal.